Quarta Capa

      Neste fluente texto sobre os Six Études, para órgão, de Jeanne Demessieux, Domitila Ballesteros oferece ao leitor uma ampla e precisa visão sobre várias questões relevantes para o musicólogo, para o organista e para o melômano culto. A autora mostra que o Estudo, inicialmente uma peça com o objetivo de resolver um dado problema de técnica pianística, ampliou o seu conceito poético, transformando-se em peça de concerto, a partir de Chopin e Liszt. Assim, o Estudo, pelas suas origens, se constitui num gênero eminentemente idiomático. Como, então, elementos especificamente pianísticos seriam transpassados para a técnica do órgão, um instrumento de características tão particulares? É esta a pergunta que Domitila Ballesteros nos responde, a partir de sua tese básica, aliás compartilhada por Marcel Dupré, professor de Demessieux, de que o domínio da técnica pianística seria essencial para o organista moderno. Após assimilada aquela técnica, ela se expandiria para as necessidades do órgão.
     Estas questões e outras paralelas são discutidas de maneira clara e bem documentada, com ricos exemplos musicais, a partir dos criativos Études para órgão de Demessieux. Esta original coletânea de seis peças para órgão, merece de Ballesteros uma criteriosa  análise sob o ponto de vista formal e interpretativo.  Como afirma a autora, "os Études  podem não ser um trabalho original, sob o ponto de vista cronológico mas marcam um momento fundamental como o epítomo da Moderna Escola Francesa de Órgão.
    "Os Six Études de Jeanne Demesieux e a técnica de piano"  é um livro que nos revela uma excitante história, uma delicada compositora e uma notável pesquisadora.

Ricardo Tacuchian
Maestro e Compositor
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